Práticas Pedagógicas

MÉTODO NARRATIVO

Cláudia Albuquerque de Lima (Coordenadora do Nar)

Joelma Sena Gomes (Monitora do Nar)

Entendendo que os alunos não são apenas seres passivos e sim autores e colaboradores no projeto de criação no momento de produção artística, literária ou textual propomos uma prática de ensino de Língua Portuguesa a qual denominamos Método Narrativo. Este se ampara nos PCN´s e sofre influência direta da Pedagogia Libertadora de Paulo Freire, que entende que cada ação gera reflexão e uma nova ação, e toma por base a Metodologia Triangular, desenvolvida por Ana Mae Barbosa, nos levando ao entendimento de que o ensino no texto se assemelha ao ensino da arte.

Na atualidade, o ensino de leitura e produção textual, em sua maioria, não é fundamentado nas teorias sobre texto, discurso, gêneros textuais, nem usado como ferramenta criadora do próprio texto. Os modelos já existentes focam na análise das metalinguagens e na estrutura da língua, ou ainda apenas como instrumento usado no processo de leitura. Seguindo este princípio entendemos que o estudo da língua não se centre na língua, e nem como as demais ciências humanas, que a usam como instrumento para a explicação de textos. Por isso, o nosso projeto centra-se no estudo de leitura e produção de texto que trabalhe a língua indissociada da realidade e como um objeto vivo que muda, varia e que não centre-se apenas nas normas gramaticais. Por isso, as Teorias do Texto e Discurso e dos Gêneros Textuais nos dão suporte.

No método narrativo o ato criativo toma como base a emoção do indivíduo, que ao criar seus textos pode interferir no seu modelo de inspiração, o que possibilitará a ele desprender-se de amarras técnicas, estilísticas e, de categorizações por meio de escolas artísticas e literárias, e assim, criar algo que transmita uma mensagem e que dê sentido à obra, mais especificamente ao texto. Isso não significa que a técnica deve ser deixada de lado, é importante que o aprendiz venha a conhecê-la para aprimorar cada dia mais o seu trabalho, mas, a técnica sozinha, não dá sentido à obra. O mundo do educando deve ser trabalhado, propiciando-lhes contato com as obras artísticas, desenvolvendo atividades onde o mesmo possa experimentar novas situações, podendo compreender e assimilar mais facilmente o mundo cultural e estético e que compete ao professor um contínuo trabalho de verificação e acompanhamento em seus processos de elaborar, assimilar e expressar os novos conhecimentos de arte e de educação escolar e que a avaliação deva estar centrada em todo o processo de ensino-aprendizagem.

A Metodologia de trabalho com narrativas obedece alguns passos que propõem ao aluno ir além de criar ou analisar textos, nele o ensino da língua portuguesa, mais especificamente da produção textual, é feito a partir de construções narrativas usando diferentes linguagens e permite que este indivíduo se relacione com a língua tendo em vista sua realidade social, cultural e lingüística, e se apóia nas seguintes etapas: a) identificação da leitura prévia (busca-se elencar a realidade linguística e a leitura prévia de mundo do aluno); b) criação- ato criativo, fazer poético; c) disseminação-produção do texto em diferentes linguagens e suportes para sua publicização, buscando a recepção da obra junto ao espectador/público; d) reflexão e análise (impactos causados pelo texto, análise das linguagens e subgêneros utilizados, mudanças de postura diante da LP e de seu ensino, verificação da análise lingüística).

Obedecendo aos passos descritos acima o Método aplicado na sala de aula é desenvolvido em várias etapas e em cada uma busca-se um objetivo específico cuja produção se relaciona com as tipologias textuais e suas características. Primeiro é requisitada aos alunos a elaboração de um relato em estilo livre sobre algo marcante de suas vidas o que envolve as experiências individuais, a memória e a expressão das emoções, deste são identificados e analisados o poder discursivo dos sujeitos envolvidos e é feito um trabalho de verificação, para se proceder na intervenção pormenorizada e análise lingüística e de progressão do aluno.

No segundo momento é escolhida em consenso com a turma uma temática que deverá ser trabalhada em equipe, e ser oriunda de uma dos gêneros literários tradicionais ou não, de algum tema comum a todos, uma experiência coletiva, a história da comunidade ou de alguém importante, uma música, uma foto, um filme, uma peça de teatro. Além do texto base são utilizados outros intertextos, resenhas, filmes, imagens, audiovisuais, músicas, que auxiliam na identificação dos elementos básicos da narrativa escolhida. Com base nesta escolha os alunos devem inicialmente conhecer sobre do que se trata a temática, estuda, analisa, ler textos ou a obra, ver filmes, e faz o levantamento dos elementos da estrutura narrativa, posteriormente cada um individualmente descreve um personagem. Em grupo desenvolvem uma releitura com base no texto literário escolhido e a apresentam sob a forma de diferentes gêneros narrativos, obedecendo-se as características deste: epopéia, lírico, dramático, cômico, poesia, conto, e em que linguagem (suporte) e utilizando os elementos da narrativa. Essa produção final tem surpreendido positivamente a nossa pesquisa, já que as produções mesclam variadas linguagens, ou seja, são produzidos peças teatrais, novelas, cordéis, júri simulado, paródias etc. Reforçando assim, um dos objetivos da nossa pesquisa “as diferentes formas de se narrar uma mesma história” já que textos literários, por exemplo, podem se valer de múltiplas linguagens de variados suportes e manter a essência, mesmo que algumas adaptações sejam feitas como diz o ditado popular “ quem conta um conto aumenta um ponto”.

Um bom exemplo dessas múltiplas possibilidades de se narrar uma mesma história é a produção O Auto em Cordel, releitura da peça teatral Auto da Compadecida de Ariano Suassuna, realizado pelos alunos do Semestre II de Letras Vernáculas, no ano acadêmico de 2010.1, cuja compilação dos textos produzidos por 5 distintas equipes resultou num cordel que foi encenado em formato de peça teatral. (Esse e outros trabalhos estão disponibilizados em anexo logo abaixo). Em suma, nosso objeto do estudo tem sido esses textos oriundos do Método Narrativo aplicado nas turmas da UNEB Campus V.

PEDAGOGIA LIBERTADORA

O método narrativo conta com um aporte filosófico da Pedagogia Libertadora de Paulo Freire. Esta metodologia difere da Pedagogia Tecnicista, pois, o aluno e o professor têm papeis centrais e não o sistema técnico de organização. Nela é dada ênfase a um saber construir aliado aos aspectos técnicos e do uso diversificado de materiais, caracterizando muito compromisso com o conhecimento de diferentes abordagens e linguagens.

A proposta da Pedagogia Libertadora, do educador Paulo Freire é voltada para uma perspectiva de consciência crítica da sociedade e da realidade do indivíduo, aponta neste mesmo sentido o saber ouvir, diálogo, respeito ao outro, consciência do inacabado, reconhecimento e assunção da realidade cultural, permitindo, com isso que o processo participativo de investigação/intervenção produza mudanças no sentido de tornar os indivíduos sujeitos livres e capazes de tomar decisões e implementarem ações, após análise e reflexão da realidade (FREIRE, 1996), portanto, promove a articulação e a mediação da construção, apropriação e socialização do saber.

 METODOLOGIA TRIANGULAR

Método de ensino da Arte conhecido por Metodologia Triangular, sistematizada pela arte-educadora Ana Mae Barbosa na década de 1980. Nesta o ser humano conhece um pouco da sua história, dos processos criativos de cada uma das linguagens artísticas, o surgimento de novas formas de realizá-la, sempre se aprimorando no decorrer dos tempos, e que envolve, como o próprio nome sugere, o trabalho em três vertentes mentais e sensoriais distintas: o fazer artístico, a leitura da obra de arte e contextualização da arte (Barbosa, 1998). A pessoa que aprende a escrever deve saber, não apenas fazer algo, mas também saber de como foi feito, de onde veio, o que a levou a fazer a obra, para assim, fazer a sua leitura, podendo perceber a mensagem e o que o artista quis passar através da sua obra. 

 

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